(...)
"Embora seja a pessoa mais corajosa que eu conheça deve se sentir no direito de ter medo, entretanto não deve deixar o medo tomar conta da sua vida e impedí-la de realizar seu sonhos. Não tenha medo de sonhar, não tenha medo de desejar coisas ou situações que não teve ou não vivenciou, cada pessoa no mundo tem sua parcela de cicatrizes, elas não devem fazer com que você tenha medo. Ame e não tenha medo de amar. Se agarre ao amor enquanto pode, lute para que ele a transforme e não tenha medo de desejar ter uma família. As pessoas são diferentes, abelhinha, nem todo mundo comete os mesmos erros. O amor pode dar certo para você. Ame a si mesma e assim estará pronta para dedicar seu coração a outra pessoa."
(...)
"Estude muito, se esforce para que seus sonhos sejam realizados com honra e integridade, não deixe que a ambição influencie nos seus objetivos, não esqueça os seus valores que já são tão sólidos mesmo você ainda sendo uma menina. Quando for uma grande profissional não deixe que isso se sobreponha a sua família, não deixe que os compromissos do dia a dia ou o desejo de fazer justiça tome o lugar que deve ser dedicado a sua família. Você será uma boa mãe, não importa o quanto diga que não quer ter filhos. Você terá."
(...)
"Não tenha medo de ser feliz, a felicidade lhe espera logo ao lado de braços abertos. Continue forte, leal, justa, íntegra, corajosa, engraçada e não esqueça que você é linda por dentro e por fora, que seus valores e suas percepções de mundo são mais aguçadas que as da maioria das pessoas, que muitas oportunidades lhe foram dadas e com isso muitas responsabilidades devem ser assumidas. Não se esqueça que você é privilegiada e que é acima de tudo muito amada."
(...)
PS.: Eu sei que a carta é nossa, mas também sei que você lê o blog de vez em quando. A saudade virou dor crônica como a artrite e a artrose dos velhinhos!
sexta-feira, 22 de junho de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Rezar
Rezar é bacana. Acalma a alma e faz alguma coisa acontecer na sequência com a mesma naturalidade do sol. Afasta o fantasma do medo. Meio parecido com o amor, aquele abstrato absoluto que feito oração, é tão recitado. Como o amor, uma oração é um mergulho que não se dá em água rasas. Não casa com superficialidade, tem que ir um pouco mais para dentro. Às vezes, tem até que faltar o ar para a gente lembrar de rezar. Rezar que não é somente uma repetição de palavras bonitas mas também o cavocar do chão de dentro em busca do fio condutor. O fio que nos liga ao infinito que nos rega de águas frescas pela janela que nunca se fecha. Mas como?
A gente se pergunta: Para quem se reza? Por que se reza? Para quê?
Você fecha seus olhos, encolhe-se em suas entranhas e busca. Rezar é como sair para procurar. O retorno, o caminho de volta ao colo que nos embala na origem. Na essência. A gente quer o encontro. Reza-se ao incomensurável que parece maior que tudo e ao mesmo tempo parece estar ao alcance de um abrir e fechar de nossos olhos. Reza-se porque somos frágeis e porque adoramos o mistério. Rezamos pela ligação inegável que temos com o infinito na tentativa tão bonita de re-ligar. Unir nossa humanidade com a nossa divindade. Rezamos para pedir. Um pouco mais de calma, um pouco mais de sabedoria. Saúde, prosperidade, amor, perdão, rezamos pelo imaterial. Pedimos luz para nossos corações-candeeiros. E sempre somos atendidos, mesmo quando isso passa despercebido. Toda prece faz sentido.
Parece-me, no entanto, que a forma mais genuína de oração é o ‘agradecer’. Deixar desfilar pela consciência todos os benefícios dos nossos dias: O osso que quebrou e colou, o osso que não quebrou, a vizinha que baixou o som, o primeiro passo de uma recuperação, a beleza de uma nova estação. Agradecemos por não ter sido pior e pelo melhor que conseguiu acontecer. Agradecemos os sorrisos que são tantos, e agradecemos as águas do nosso pranto. A gente agradece as marcas que ficam. Na pele, nos olhos, na alma, na vida. A gente agradece as cicatrizes, nossas tatuagens, símbolos de superação. A gente agradece a miríade de sentimentos sentidos, e agradece todos os sentidos que dão sentido à vida de cada um. A gente agradece a grandiosidade da vida e as pequenezas que nos fazem tão bem. A gente reza.
E assim acontece. A cada manhã, antes de dormir, no meio de uma dor, de um desespero, na agudez de uma angústia, no êxtase de uma conquista, no agradecer de tantas graças. Em cada par de olhos, uma oração. É estranho. Bastante estranho esse mundo de estranhezas bonitas. A fé. O sal de toda prece que à quase tudo parece poder transformar, pode fazer de um muito simples abrir e fechar de olhos que acredita na vida um gesto de que salva, que transforma carência em coragem, em força, em alegria e em muito mais amor para nossas vidas. A fé é a água fresca que liberta-nos da dor . É linda, brilha e como um ser sussurrante que se esbalda dentro da gente, quer sempre nos lembrar : num abrir e fechar de olhos tudo pode mudar.
A gente se pergunta: Para quem se reza? Por que se reza? Para quê?
Você fecha seus olhos, encolhe-se em suas entranhas e busca. Rezar é como sair para procurar. O retorno, o caminho de volta ao colo que nos embala na origem. Na essência. A gente quer o encontro. Reza-se ao incomensurável que parece maior que tudo e ao mesmo tempo parece estar ao alcance de um abrir e fechar de nossos olhos. Reza-se porque somos frágeis e porque adoramos o mistério. Rezamos pela ligação inegável que temos com o infinito na tentativa tão bonita de re-ligar. Unir nossa humanidade com a nossa divindade. Rezamos para pedir. Um pouco mais de calma, um pouco mais de sabedoria. Saúde, prosperidade, amor, perdão, rezamos pelo imaterial. Pedimos luz para nossos corações-candeeiros. E sempre somos atendidos, mesmo quando isso passa despercebido. Toda prece faz sentido.
Parece-me, no entanto, que a forma mais genuína de oração é o ‘agradecer’. Deixar desfilar pela consciência todos os benefícios dos nossos dias: O osso que quebrou e colou, o osso que não quebrou, a vizinha que baixou o som, o primeiro passo de uma recuperação, a beleza de uma nova estação. Agradecemos por não ter sido pior e pelo melhor que conseguiu acontecer. Agradecemos os sorrisos que são tantos, e agradecemos as águas do nosso pranto. A gente agradece as marcas que ficam. Na pele, nos olhos, na alma, na vida. A gente agradece as cicatrizes, nossas tatuagens, símbolos de superação. A gente agradece a miríade de sentimentos sentidos, e agradece todos os sentidos que dão sentido à vida de cada um. A gente agradece a grandiosidade da vida e as pequenezas que nos fazem tão bem. A gente reza.
E assim acontece. A cada manhã, antes de dormir, no meio de uma dor, de um desespero, na agudez de uma angústia, no êxtase de uma conquista, no agradecer de tantas graças. Em cada par de olhos, uma oração. É estranho. Bastante estranho esse mundo de estranhezas bonitas. A fé. O sal de toda prece que à quase tudo parece poder transformar, pode fazer de um muito simples abrir e fechar de olhos que acredita na vida um gesto de que salva, que transforma carência em coragem, em força, em alegria e em muito mais amor para nossas vidas. A fé é a água fresca que liberta-nos da dor . É linda, brilha e como um ser sussurrante que se esbalda dentro da gente, quer sempre nos lembrar : num abrir e fechar de olhos tudo pode mudar.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
O moço que entrega panfletos
Arrumo o meu cabelo e ele ajeita a camiseta. Existe alguma coisa entre nós: uma vontade mútua de não sermos cinzas. Van Gogh nos borrou de verde-água, e agora nós dois nos reconhecemos, apesar da multidão. Eu, a moça que sai da faculdade, e ele, o moço que entrega panfletos do dentista. É claro que eu sou muito mais do que uma moça que sai da faculdade e ele é muito mais do que um moço que entrega panfletos na rua. Mas tudo o que sei sobre ele é que uma obturação custa menos de dez reais e tudo o que ele sabe de mim é que meu sorriso é amplo e gratuito. Assim, a nossa relação gira em torno de dentes: fortes e insuperáveis. A multidão me atropela, assim como atropela e pisoteia os seus panfletos, mas eu paro por nove segundos, como se apanhasse a última edição do jornal, leio as suas manchetes odontológicas, sorrio ao meu amigo e digo... muito obrigada! A multidão o atropela, assim como atropela e pisoteia os meus amuletos, mas ele para por nove segundos, como se me entregasse os mais belos poemas camuflados, sorri e me diz... boa noite! E eu vou embora, com o nosso segredo guardado no bolso. Ali está meu cavaleiro andante e sua armadura de plástico, colorida, com os preços estampados.
P.S: o texto tem no mínimo 5 anos, certas poesias nunca mudam.
P.S: o texto tem no mínimo 5 anos, certas poesias nunca mudam.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Oração
Chega o momento de analisar mais um ano que passou e os desejos para o próximo ano, e não, não é ano novo. É aniversário novo, a virada do ano só acontece quando mais um ano de vida se conclui e se reinicia. Como um relógio que contabiliza cada segundo já vivido, consegue guardar cada alegria e mágoa presenciada. O relógio que mais parece o olho que tudo vê e tudo sabe. Quando este relógio traduz-se em sua última e primeira badalada eu rezo.
Para que o ano que passou fique guardado para sempre na minha memória e eu saiba diferenciar o que deve ser guardado como aprendizado e o que deve apenas passar. Para que eu possa perdoar todas as atitudes e pessoas que me magoram e não deixe que elas me tornem uma pessoa amargurada e triste. Para que o rancor seja substituído pela capacidade de perdoar. Para que eu consiga libertar a tristeza e a dor que vivem em um lugar guardado no meu coração e nunca mais possa aprisioná-las dentro de mim. Para que eu possa perceber que nem toda a tristeza do mundo deve sobrepujar nem que seja um segundo da minha alegria.
Para que os medos que sinto não me tornem sua prisioneira. Para que minhas inseguranças não me impeçam de ir em frente e lutar pelos meus sonhos. Para que minhas vaidades não se transformem em alimento para o meu ego. Para que minha humildade seja minha maior qualidade. Para que minha vontade de ser boa não esmoreça diante dos dias em que estou descrente da humanidade. Para que eu teime em acreditar nas pessoas e na capacidade que elas têm de serem melhores. Para que minha ingenuidade seja preservada diante das minhas ideologias e capacidade de sonhar.
Para que eu ame. Para que minha capacidade de amar seja proporcional a vontade que sinto de ser feliz. Para que o amor que sinto seja ampliado a cada batida do meu coração. Para que a felicidade que esse sentimento me traz faça de mim uma pessoa melhor. Para que meu egoísmo seja substituído pela vontade de fazer o outro feliz. Para que meu ciúme não se sobreponha aos bons sentimentos que carrego. Para que eu tenha a oportunidade de dizer “eu te amo”. Para que o amor seja o alimento que me sustenta.
Para que a busca da minha vida seja a felicidade. Para que eu não esqueça quem eu sou e de onde vim. Para que não esqueça quem eu quero ser. Para que minha vontade de ser boa profissional não se torne uma ambição. Para que o dinheiro seja apenas dinheiro. Para que as pessoas que amo sejam sempre prioridade. Para que minha casa seja morada de Deus.
Para que minha capacidade de acreditar em mudanças não se acabe. Para que eu saiba valorizar os sonhos alheios. Para que eu amadureça. Para que eu saiba valorizar cada sorriso a mim direcionado. Para que eu não perca minha fé. Para possa ser uma pessoa melhor. Para que minha vontade de viver e ser feliz não acabe.
Amém.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Calma, Marília!
Calma não é exatamente o sentimento mais fácil de sentir. A gente quer a calma e até sonha com ela. Faz um cenário: uma varanda branca, um mar bem azul, perfumosos aromas florais e muitas árvores dançando suas folhas ao sabor de um vento quente pra relaxar. Imaginamos a calma habitando um lugar perfeito à prova de incomodações e chatices. E deixa ela lá, de férias perpétuas. Só que a gente precisa dela aqui. Sempre perto. Frequente. Constante. Amiga. E precisamos dela justamente nas ocasiões em que ela parece não se habituar:
A fila do banco. O trânsito das seis. A birra do filho. O ciúme do ser amado. O telefone que não toca. Ou toca na hora errada. O negócio que não anda. O relógio que corre. A balança que dispara. E ainda são as cólicas, a dor de cabeça, as costas que travam. Metas, projetos, prazos, contas, atrasos, decepções. E o indefectível estresse, que nunca se faz de rogado. Como alcançar as mãos delicadas da calma em meio ao pequeno caos diário a que nos submetemos?
Como convencê-la a ficar por perto, mesmo que às vezes a paisagem pareça um pouco árida? Creio ser preciso que ela independa do meio, que ela sinta-se bem dentro da gente como se fôssemos um pequeno oásis . Cultivá-la através de pequenos gestos que garantam seu reinado para que ela possa nos protejer com sua aura de azulados tons . Fortalecida por muitos gestos, seja tão abundante que os percalços não a intimidem. Flor por flor, há um jardim inteiro pra plantar e cultivar. Depende da gente. Sorte nossa que ela não é muito complicada e inspira-nos a traçar um caminho muito simples, aquelas atitudes que a gente até sabe, mas que é sempre muito útil lembrar. Para a calma ficar é sempre bom:
Tomar um ar
dar um tempo e aceitar,
Voltar-se pra dentro
fazer uma oração e confiar,
Chorar se der vontade
pedir colo e desabafar,
Ter um olhar abrangente
ser positivo e nunca se acomodar,
Acreditar no possível
soltar a imaginação e sonhar,
Ocupar as mãos
trabalhar mas saber a hora de parar,
Manter os pés no chão
mas do vôo de impossíveis não se amedrontar,
Gostar da vida
gostar da pessoas e nelas se demorar,
Descomplicar, simplificar
não perder tempo e respirar,
E quando tudo parecer agudo demais
soltar a corda, soltar as rédeas
e recomeçar.
A calma tem uma grande aliada, a sabedora, uma grande mania, a alegria, e uma sede tenaz:
Calma é flor que tem que ser regada todo santo dia!
A fila do banco. O trânsito das seis. A birra do filho. O ciúme do ser amado. O telefone que não toca. Ou toca na hora errada. O negócio que não anda. O relógio que corre. A balança que dispara. E ainda são as cólicas, a dor de cabeça, as costas que travam. Metas, projetos, prazos, contas, atrasos, decepções. E o indefectível estresse, que nunca se faz de rogado. Como alcançar as mãos delicadas da calma em meio ao pequeno caos diário a que nos submetemos?
Como convencê-la a ficar por perto, mesmo que às vezes a paisagem pareça um pouco árida? Creio ser preciso que ela independa do meio, que ela sinta-se bem dentro da gente como se fôssemos um pequeno oásis . Cultivá-la através de pequenos gestos que garantam seu reinado para que ela possa nos protejer com sua aura de azulados tons . Fortalecida por muitos gestos, seja tão abundante que os percalços não a intimidem. Flor por flor, há um jardim inteiro pra plantar e cultivar. Depende da gente. Sorte nossa que ela não é muito complicada e inspira-nos a traçar um caminho muito simples, aquelas atitudes que a gente até sabe, mas que é sempre muito útil lembrar. Para a calma ficar é sempre bom:
Tomar um ar
dar um tempo e aceitar,
Voltar-se pra dentro
fazer uma oração e confiar,
Chorar se der vontade
pedir colo e desabafar,
Ter um olhar abrangente
ser positivo e nunca se acomodar,
Acreditar no possível
soltar a imaginação e sonhar,
Ocupar as mãos
trabalhar mas saber a hora de parar,
Manter os pés no chão
mas do vôo de impossíveis não se amedrontar,
Gostar da vida
gostar da pessoas e nelas se demorar,
Descomplicar, simplificar
não perder tempo e respirar,
E quando tudo parecer agudo demais
soltar a corda, soltar as rédeas
e recomeçar.
A calma tem uma grande aliada, a sabedora, uma grande mania, a alegria, e uma sede tenaz:
Calma é flor que tem que ser regada todo santo dia!
terça-feira, 17 de abril de 2012
Chico
Chico Buarque é o meu amor mais antigo. Aos três anos cantava suas músicas quando mal sabia falar. Aos sete usei sua música para dançar ballet. Aos 15 cantei sua música para o primeiro rapaz que gostei e ele não entendeu. Aos 21 anos cantei sua música para sentir profundamente uma tristeza e colocar o dedo na ferida. Aos 22 anos descobri que conseguia sentir uma amor mais forte do que o que eu sentia pelo Chico, passei a usar suas músicas como trilha sonora para minha vida amorosa.
Aprendi a gostar do Chico não só pela complexidade de suas letras, que mais parecem raios que cortam meu coração e me atingem profundamente. Passei a amar Chico pela sua militância e consciência política. Ele era a imagem dos meus pais mais polida e refinada. Chico Buarque tem tudo que um homem precisa ter para que uma mulher se apaixone por ele.
Caráter sólido, posicionamento político, inteligência refinada, senso de humor, uma pitada de cafajestismo em suas letras e olhos tão lindos que mais parecem os "olhos de ressaca" da Capitu. Milhares de mulheres mergulhariam em seus olhos e se afogariam neles de bom grado. Chico ainda ama o futebol, seu único defeito é torcer pelo Fluminense, um defeito até perdoável em meio a tantas qualidades.
O Chico Buarque é o meu relacionamento musical mais antigo e sólido, suas músicas sãos as primeiras que me lembro gostar. Entre cirandas e amarelinhas eu cantava músicas com letras que ainda nem entendia. Meu amadurecimento físico, psicológico, acadêmico e sentimental tem influência maciça do Chico e por isso agradeço.
Amarei Chico Buarque por toda minha vida, esta é uma certeza assim como o sol irá se pôr todos os dias. Eu o amarei pois não importa o que faça daqui para frente, meu coração já sensibilizado reconhece sua voz e derrete-se como biscoito de manteiga. Ele ocupará sempre um lugar privilegiado em meu coração.
Sou completamente apaixonada pelo Chico Buarque, é uma constatação. Meninas de todas as idades são. Não importa se são meninas de 60 anos ou de 15 anos, todas serão sempre meninas na frente do seu amor.
Porém tenho um segredo para contar. Eu tenho um Chico Buarque só meu. Claro que ele não atende pelo nome de Chico nem tem sua idade, mas ando suspeitando que existem muitas semelhanças entre os dois. Para minha surpresa , o amor da minha vida até entende que eu também posso amar o Chico e isso é muito generoso. Não posso revelar mais detalhes, pois assim como milhares de mulheres se apaixonaram pelo Chico oficial o meu Chico, só meu, também pode despertar este sentimento!
Aprendi a gostar do Chico não só pela complexidade de suas letras, que mais parecem raios que cortam meu coração e me atingem profundamente. Passei a amar Chico pela sua militância e consciência política. Ele era a imagem dos meus pais mais polida e refinada. Chico Buarque tem tudo que um homem precisa ter para que uma mulher se apaixone por ele.
Caráter sólido, posicionamento político, inteligência refinada, senso de humor, uma pitada de cafajestismo em suas letras e olhos tão lindos que mais parecem os "olhos de ressaca" da Capitu. Milhares de mulheres mergulhariam em seus olhos e se afogariam neles de bom grado. Chico ainda ama o futebol, seu único defeito é torcer pelo Fluminense, um defeito até perdoável em meio a tantas qualidades.
O Chico Buarque é o meu relacionamento musical mais antigo e sólido, suas músicas sãos as primeiras que me lembro gostar. Entre cirandas e amarelinhas eu cantava músicas com letras que ainda nem entendia. Meu amadurecimento físico, psicológico, acadêmico e sentimental tem influência maciça do Chico e por isso agradeço.
Amarei Chico Buarque por toda minha vida, esta é uma certeza assim como o sol irá se pôr todos os dias. Eu o amarei pois não importa o que faça daqui para frente, meu coração já sensibilizado reconhece sua voz e derrete-se como biscoito de manteiga. Ele ocupará sempre um lugar privilegiado em meu coração.
Sou completamente apaixonada pelo Chico Buarque, é uma constatação. Meninas de todas as idades são. Não importa se são meninas de 60 anos ou de 15 anos, todas serão sempre meninas na frente do seu amor.
Porém tenho um segredo para contar. Eu tenho um Chico Buarque só meu. Claro que ele não atende pelo nome de Chico nem tem sua idade, mas ando suspeitando que existem muitas semelhanças entre os dois. Para minha surpresa , o amor da minha vida até entende que eu também posso amar o Chico e isso é muito generoso. Não posso revelar mais detalhes, pois assim como milhares de mulheres se apaixonaram pelo Chico oficial o meu Chico, só meu, também pode despertar este sentimento!
terça-feira, 27 de março de 2012
A Redoma, o Cercado e o Silêncio
Se eu pudesse colocaria uma redoma em volta do amor e nada no mundo poderia tocá-lo. Os problemas e preocupações do dia-a-dia nunca poderiam atingi-lo e nada o perturbaria. O amor seria sempre calmo e leve como as nuvens de algodão.
Se eu pudesse colocaria cercados em volta do amor e nada no mundo se aproximaria dele. Pessoas mal intencionadas não chegariam perto, eu dormiria tranquila sabendo que o amor estava protegido de intrusos ou ladrões que queiram roubá-lo de mim. O amor seria meu e estaria sempre a minha espera.
Se eu pudesse decretaria o silêncio ao redor do amor e ninguém no mundo falaria com ele além de mim. Vozes feias e estranhas jamais perturbariam o amor e ele só ouviria o canto dos pássaros e as vozes mais bonitas do mundo, porque eu pessoalmente as selecionaria. O amor estaria sempre em um ópera moderna e ouviria apenas a mim.
Mas eu não posso e não quero.
Uma redoma impediria que o amor sentisse o vento e o gosto da chuva, ele não veria o sol nem os arco-íris que se formam, não veria as cores e não saberia como é o gosto da liberdade. O amor seria calmo e nunca me surpreenderia, seria dia após dia nuvens de algodão, e eu tão acostumada a tê-las não veria mais desenhos novos e não sonharia com os anjos brincando de pulá-las no céu.
Um cercado impediria que o amor conhecesse novas pessoas e ele não saberia que neste mundo imenso existem milhares delas, boas e más. O amor não saberia distingui-las, seria ludibriado por qualquer uma e talvez não percebesse que em meio as multidões alguém o ama incondicionalmente. O amor precisa de experiências para perceber que uma única pessoa deve bastar para fazê-lo feliz.
O silêncio impediria que o amor ouvisse todas as vozes do mundo. O amor não saberia o que é uma voz bonita ou feia, pois seu conceito dependeria do meu gosto. Assim o amor nunca me ensinaria algo novo, nunca me apresentaria uma nova música e nós não íamos ter uma descoberta só nossa. O amor só conheceria minha voz, como ele poderia saber que a minha voz será aquela que ele quer ouvir mesmo em meio a todas as outras vozes do mundo?
Eu quero que o amor seja livre.
Sem as redomas o amor pode caminhar com seus próprios pés e conhecer o mundo todo. Ele vai ver como o mundo pode ser belo e como pode ser feio, como existe sofrimento e felicidade em todos os lugares. Ele terá novidades sempre e se voltar para mim depois de caminhar, saberei que percebeu que sua felicidade é ao meu lado.
Sem cercado o amor saberá como é saboroso o abraço. Ele abraçará muitas pessoas e terá muitos amigos, aprenderá dia após dias a fazê-los e reconhecê-los e assim terá anjos a sua volta por uma vida inteira. O amor se sentirá pleno e feliz. Em algum momento talvez se decepcione, mas será bom, o amor aprenderá a se reerguer após uma tristeza. Talvez o amor perceba que entre tantos abraços o que mais lhe acolhe é o meu e assim queira sempre me abraçar de volta.
Sem o silêncio o amor saberá como o mundo é barulhento e como esse barulho nos faz sentir inseridos. Com tantos sons, o amor perceberá que nunca estará sozinho, se identificará com músicas e vozes, ouvirá verdades e mentiras. O amor aprenderá que a verdade deve ser dita não pelos lábios, mas sim pelo coração. Talvez o amor descubra que só o meu coração fala com ele, meus lábios adquiriram a função dos beijos. Talvez o amor descubra que minhas palavras são sempre verdade e que um "eu te amo" é tão sagrado quanto uma oração.
Se eu pudesse colocaria cercados em volta do amor e nada no mundo se aproximaria dele. Pessoas mal intencionadas não chegariam perto, eu dormiria tranquila sabendo que o amor estava protegido de intrusos ou ladrões que queiram roubá-lo de mim. O amor seria meu e estaria sempre a minha espera.
Se eu pudesse decretaria o silêncio ao redor do amor e ninguém no mundo falaria com ele além de mim. Vozes feias e estranhas jamais perturbariam o amor e ele só ouviria o canto dos pássaros e as vozes mais bonitas do mundo, porque eu pessoalmente as selecionaria. O amor estaria sempre em um ópera moderna e ouviria apenas a mim.
Mas eu não posso e não quero.
Uma redoma impediria que o amor sentisse o vento e o gosto da chuva, ele não veria o sol nem os arco-íris que se formam, não veria as cores e não saberia como é o gosto da liberdade. O amor seria calmo e nunca me surpreenderia, seria dia após dia nuvens de algodão, e eu tão acostumada a tê-las não veria mais desenhos novos e não sonharia com os anjos brincando de pulá-las no céu.
Um cercado impediria que o amor conhecesse novas pessoas e ele não saberia que neste mundo imenso existem milhares delas, boas e más. O amor não saberia distingui-las, seria ludibriado por qualquer uma e talvez não percebesse que em meio as multidões alguém o ama incondicionalmente. O amor precisa de experiências para perceber que uma única pessoa deve bastar para fazê-lo feliz.
O silêncio impediria que o amor ouvisse todas as vozes do mundo. O amor não saberia o que é uma voz bonita ou feia, pois seu conceito dependeria do meu gosto. Assim o amor nunca me ensinaria algo novo, nunca me apresentaria uma nova música e nós não íamos ter uma descoberta só nossa. O amor só conheceria minha voz, como ele poderia saber que a minha voz será aquela que ele quer ouvir mesmo em meio a todas as outras vozes do mundo?
Eu quero que o amor seja livre.
Sem as redomas o amor pode caminhar com seus próprios pés e conhecer o mundo todo. Ele vai ver como o mundo pode ser belo e como pode ser feio, como existe sofrimento e felicidade em todos os lugares. Ele terá novidades sempre e se voltar para mim depois de caminhar, saberei que percebeu que sua felicidade é ao meu lado.
Sem cercado o amor saberá como é saboroso o abraço. Ele abraçará muitas pessoas e terá muitos amigos, aprenderá dia após dias a fazê-los e reconhecê-los e assim terá anjos a sua volta por uma vida inteira. O amor se sentirá pleno e feliz. Em algum momento talvez se decepcione, mas será bom, o amor aprenderá a se reerguer após uma tristeza. Talvez o amor perceba que entre tantos abraços o que mais lhe acolhe é o meu e assim queira sempre me abraçar de volta.
Sem o silêncio o amor saberá como o mundo é barulhento e como esse barulho nos faz sentir inseridos. Com tantos sons, o amor perceberá que nunca estará sozinho, se identificará com músicas e vozes, ouvirá verdades e mentiras. O amor aprenderá que a verdade deve ser dita não pelos lábios, mas sim pelo coração. Talvez o amor descubra que só o meu coração fala com ele, meus lábios adquiriram a função dos beijos. Talvez o amor descubra que minhas palavras são sempre verdade e que um "eu te amo" é tão sagrado quanto uma oração.
Assinar:
Postagens (Atom)